Muita tristeza e consternação. São as palavras que posso usar para descrever como está a situação aqui em casa. Há muito tempo eu não sabia o que era perder um ente querido. Há muito tempo eu não sabia o que era sentir a dor da perda de um parente.
O tio Arlei vai fazer muita falta, e agora enquanto as lágrimas escorrem dos meus olhos eu descrevo o quanto é duro perder uma pessoa tão querida como ele foi.
Ele nem meu tio de verdade era, ex-marido da irmã do meu pai, minha tia Iza.O tio Arlei, 49 anos, vai deixar saudades. Um mecânico especializado em grandes caminhões, não era formado em Engenharia, na verdade, nem o Ensino Fundamental completara. Muito do que sabia de sua profissão aprendeu na prática conseguindo conquistar seu espaço. Fez cursos posteriormente, mas depois de décadas de trabalho.
Motivo de orgulho, por que era motivação e trabalho árduo. Sempre trabalhou muito para conquistar tudo aquilo que desejava. Ele e minha tia construíram, com ajuda do seu irmão, a casa que durante cerca de vinte anos viveu com a pessoa que mais amou na vida, e também na eternidade, tia Iza.
Um exemplo a ser seguido por todos. Honesto, digno, honrado, esforçado, inteligente e outras tantas qualidades que poderia usar para descrevê-lo. Era “chantagista”, vou explicar por quê: “se não passar de ano, não levo para viajar”, ele ameaçava fazendo com que alguns de seus sobrinhos, eu era um deles, estudasse com afinco buscando passar e poder viajar.
Foi numa dessas que, no verão de 2005, eu passei dez dias na praia de Canasvieiras, em Santa Catarina. Um paraíso, a primeira e única viajem que fiz na minha vida, tudo pago pelo tio Arlei.
Ele não tinha filhos, por uma brincadeira do destino, não podia ter. Mas Deus foi justo com ele, lhe deu quase 20 filhos que, nenhum tinha seu sangue, mas gostava dele como se fosse seu pai.
Tio Arlei nem era meu padrinho, mas eu o considerava meu segundo pai. Em certas situações até o “titular”. No momento que eu mais precisei foi ele quem me estendeu a mão. Ele não me chamava pelo nome, era “filho”, “ê filhão!”. Sempre perguntando: “e o colégio?” ou, “e afaculdade?”. Embora não tivesse estudado o suficiente, sempre foi muito preocupado com o nosso futuro.
O dia 17 de dezembro entrará para a história da família Figueiró como um dia negro, um dia que jamais será esquecido, de muita dor e sofrimento. Um dia de mudança, que certamente não será para melhor.
Um dos seus maiores orgulhos era olhar para o presente projetando o futuro e ver, que nenhum dos seus filhos seguiu por uma vida de desonra, crime, ou qualquer coisa que pudesse prejudicá-los. Muito do que somos hoje devemos a ele
Ele não deixou uma herança de fortunas incalculáveis, mansões, empresas, carros, etc. Mas ficou o mais valioso, um legado de lições, ensinamentos a serem seguidos para toda vida, a lembrança de uma pessoa integra, de princípios e valores inigualáveis e impossíveis de serem ignorados. Igual a ele nunca mais haverá outro.
Para os que ficam, assim como eu, está lançado o desafio de tentar ser no máximo um pouco do que ele foi ou será, pois o que fora antes mencionado, ficará na lembrança, até de quem está chegando agora e dos que ainda estão por vir.
Muito obrigado tio Arlei!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
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