segunda-feira, 30 de abril de 2007

É só o que dá!!! Valeu!!!


E aí galera visitante sejam bem vindos!!!
É o seguinte: estou sem tempo para escrever alguma coisa (na verdade qualquer coisa) então até eu conseguir, vai um texto que eu li na minha aula de Comunicação e Expressão do Ensino à Distância, que eu gostei muito e gostaria de compartilhar com vocês leitores. Espero que gostem.
Um abraço!!!!!



Minha vida
de Bertrand Russel

Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram minha vida: o desejo imenso de amor, a procura de conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como fortes ventos, levaram-me de um lado para outro, em caminhos caprichosos, para além de um profundo oceano de angústias, chegando à beira do verdadeiro desespero.
Primeiro, busquei o amor, que traz o êxtase – êxtase tão grande que sacrificaria o resto de minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Procurei-o, também, abranda a solidão – aquela terrível solidão em que uma consciência horrorizada observa, da margem do mundo, o insondável e frio abismo sem vida. Procurei-o, finalmente, na união do amor vi, em mística miniatura, a visão prefigurada do paraíso que santos e poetas imaginaram. Isso foi o que procurei e, embora pudesse parecer bom demais para a vida humana, foi o que encontrei.
Com igual paixão busquei o conhecimento. Desejei compreender os corações dos homens. Desejei saber porquê as estrelas brilham. E tentei apreender a força pitagórica pela qual o número se mantém acima do fluxo. Um pouco disso, não muito, encontrei.
Amor e conhecimento, até onde foram possíveis, conduziram-me aos caminhos do paraíso. Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de gritos de dor reverberam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desprotegidos – odiosa carga para seus filhos – e o mundo inteiro de solidão, pobreza e dor transformam em arremedo o que a vida humana poderia ser. Anseio ardentemente aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.
Isso foi a minha vida. Achei-a digna de ser vivida e vivê-la-ia de novo com a maior alegria se a oportunidade me fosse oferecida.